quarta-feira, 20 de julho de 2011

Causas da greve (blog do moacir pereira)

Texto do professor Ivo Moresco, de Angelina:
Para este momento histórico da educação em SC, vale a pena uma reflexão que, com certeza, ajudará a entender mais um pouco o porquê da demora em solucionar esta greve de 62 dias. Nós, professores aqui de Angelina, na EEB Nossa Senhora, onde 100%  manteve-se em greve, estivemos analisando essa reflexão numa reunião especial. Então, esta reflexão representa, também, a luta por melhoria que continua viva na razão e no coração de todos nós. O CENÁRIO DA GREVE DOS PROFESSORES DE SC representou, logicamente, uma situação-problema que o governo tendeu a ampliar em vez de resolver.
Quando fala-se do governo, deve-se ler o seguinte: GRUPO GESTOR (Ubiratan Simões Rezende, Nelson Antônio Serpa, Antônio Ceron); EDUCAÇÃO ( Eduardo Deschamps, Marco Antônio Tebaldi); ASSOPRADORES DIRETOS (JKB, LHS, Paulo Bauer) e o COLOMBO. Claro que sustentado pela maioria:  do judiciário, do MPE, do tribunal de contas e pelo legislativo. Estes poderes não são autônomos e, por isso, não agem como tal. Constituem uma espécie de rede – um sustentando o outro – onde, neste caso da greve, o Colombo pode agir facilmente como um fora da lei.
Por exemplo, Herneus de Nadal e Julio Garcia, foram os últimos conselheiros empossados no TCE indicados pelo LHS e aprovados pelos seus pares. O 1º foi da bancada do PMDB e o 2º, do PFL (DEM). Assim sendo, como é que vão agir autonomamente nas funções do TCE? E quanto o TCE não aprova as contas ou apresenta ressalvas (como foi o caso do FUNDEB), que fazem o MPE  e o Legislativo? Infelizmente, quem perde com esta falta de autonomia, somos todos nós da sociedade civil.
O Colombo foi citado acima por último – numa ordem hipoteticamente decrescente – porque executa o que os anteriores assopram.  Na política de SC nunca foi líder de ponta. A bússola que aponta o Norte, sempre esteve sob o controle de outros. Isto desde os “bons” tempos de Lages. Daí, um problemão – como foi a greve dos professores – de que forma poderia ter sido resolvida por “este governo”? Que, diga-se de passagem, a princípio, é LIBERAL.
Ora, o liberalismo cuida primeiro do mercado, do materialismo real, lucrativo, individualista e/ou oligopolista. Os professores estão na outra ponta, mais próximos do espiritual. Sempre procuram desenvolver o intelecto, a construção do conhecimento, a prática de valores (fora do âmbito do mercado). Procuram desenvolver o senso da cidadania, de uma sociedade democrática, temperado com uma consciência crítica. Portanto, é mais correto chamar os professores, não de professores, mas, de EDUCADORES. Haja vistas que o termo “educação” é de origem grega e significa “conduzir para fora”.
Por exemplo, conduzir as crianças por um determinado caminho para fora, longe do sistema dominante, guiados por estes valores e/ou por aqueles princípios, etc. Portanto, diante do liberalismo, os EDUCADORES podem constituírem-se em condutores perigosos. Por isso mesmo sob a ótica do liberalismo, os educadores não devem ser prestigiados, mas, sempre mantidos diminuídos.
Entre muitas provas disto, destaca-se a Carta aos Deputados, da AFASED (Assoc. dos funcionários aposentados da SED – órgão central – Conselho Estadual de Educação e Conselho Estadual do Desporto), de 05/06/2011, onde é demonstrado que os servidores da SED estão em penúltiplo lugar em termos de salário, entre as 14 categorias de servidores ali expressas. Aliás, na Historia da humanidade, os grandes mestres, de modo geral, sempre foram, de um lado, por natureza da função, muito simples, humildes; por outro, sempre foram criticados, desaprovados, etc., pelo sistema dominante vigente.
Veja os casos exemplares, de Sócrates, Giordano Bruno e de Paulo Freire. Na Idade Média, era proibido ensinar a ler e a escrever aos servos. Hoje, o IBGE prova que o trabalhador com Ensino Fundamental completo, tem uma remuneração menor do que aquele que cursou faculdade. O custo da mão de obra para o mercado é fatal. Podemos observar, também, que o ENEM, o PROUNI e a LEI DE COTAS, oportunizam acesso mais facilitado aos alunos oriundos da escola pública. Consequentemente, a rede particular de ensino – que educa, em sentido amplo, para o mercado – fica em prejuízo. De acordo com estes pontos de vista, a greve não terminou logo porque está em jogo uma decisão política, interesseira e ideológica.
Para os professores, ou melhor, educadores, a greve representava (representa) uma questão de direito garantido por lei, uma busca de reconhecimento e de qualidade de vida, para si e para a sociedade. O “governo”, portanto, tentou armar um conjunto de manobras protelatórias para evitar qualquer melhoria. Vai que, diante do uso abusivo destas manobras, o movimento grevista enfraquece (e não foi isto que ocorreu?), o “governo se destaca – ou é destacado pela mídia – como defensor dos direitos de todos”. Além do que, manobrou para dividir a categoria e o SINTE.
Segundo Nicolau Maquiavel: “divide e impera”. E, na verdade, quem ganha com essas coisas todas é o mercado (o capital) que continua contando com cidadãos pouco cultos, mais propícios como massa de manobra e/ou como mão de obra barata. Para o mercado, então, não interessa o desenvolvimento do espírito, da consciência, da construção de um grande conhecimento. O mercado não pode sofrer riscos. E aqueles que podem colocar em risco o mercado, devem ser mais controlados.
As oportunidades e as reivindicações devem ser dificultadas ao máximo, mesmo num cenário dito democrático. Disto é possível, também, entender o porquê das péssimas condições em que se encontra a maioria das escolas públicas de SC. Então, está mais do que no tempo de os pais de alunos de escolas públicas, conhecer melhor a situação em que se encontra a escola onde encaminha seus filhos. E não só conhecer, mas tomar partido como muito bem disse o Jornalista Moacir Pereira.
Tomar partido significa (entre várias coisas) exigir coletivamente melhores bibliotecas, laboratórios, material esportivo, etc., e, também,valorizar os educadores que representam as pessoas que conduzem o processo de ensino/aprendizagem. Se essa consciência e prática estivessem melhor desenvolvidas entre os pais, o Colombo não poderia facilmente manobrar e protelar.  Isso é, os prezados pais devem saber que, caso os educadores de seus filhos não estão bem, quem será mais prejudicado serão vossos filhos.
Se essas consciências e práticas estivessem mais desenvolvidas, o Colombo não poderia facilmente manobrar e protelar. Finalizando, gostaria de parabenizar os educadores de Angelina que se empenharam nesta greve, lutando para melhorar a qualidade da educação em geral. Também agradecer aos pais e alunos pela compreensão e pelas manifestações de apoio a esta nobre causa.

Ps: postagem retirada do blog do moacir pereira...

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