Quando assumiu o governo, a primeira medida de impacto de Raimundo Colombo (DEM/PSD) foi anunciar um freio nos gastos para juntar R$ 1 bilhão até maio. Com a poupança daria início a um pacote de obras que marcariam, de fato, o início da nova gestão. O plano acabou suspenso com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de que o piso nacional do magistério vale sobre o salário inicial e não sobre a remuneração, em abril, e a consequente greve dos professores, iniciada em 18 de maio.
Afinal, mesmo que as informações vindas do Centro Administrativo falassem em economia superior a R$ 900 milhões, como sair anunciando obras ao mesmo tempo em que se dizia não ter dinheiro para bancar a implantação do piso sem achatamento do plano de carreira dos professores? O tal pacote de obras ficou para depois da greve, que se arrastou por longos 62 dias e que chegou ao fim com os profissionais claramente insatisfeitos com a equação elaborada pelo governo para conciliar o piso e as atuais tabelas salariais.
Já no dia seguinte à aprovação do PLC 026 na Assembleia Legislativa, na quarta-feira passada, o governador Colombo começou a tentar colocar em prática uma agenda positiva de anúncios de repasses para obras e inaugurações. Nos textos enviados pela assessoria do governo desde então, conta-se 11 que tratam de investimentos.
Nenhuma obra de vulto ainda, mas somente hoje em Blumenau serão assinados seis convênios para obras viárias e na área de saúde. Na sexta-feira, uma viagem a Chapecó rendeu anúncios de recursos para continuar a construção do acesso à BR-282, abertura de leitos de UTI no Hospital Regional e melhoria na infraestrutura do aeroporto. Apareceram até R$ 3,4 milhões para restauração das igrejas Nossa Senhora da Lapa, no Ribeirão da Ilha, em Florianópolis, e Matriz de São José (pena que tenha ficado de fora a igreja de São Francisco da Penitência, no Centro da Capital, onde há meses uma faixa denuncia e implora: “Francisco, salva minha igreja”).
Colombo acabou vendo a imprensa antecipar-se ao anúncio que seria a cereja do bolo do pacote de obras: a definição do modelo da quarta ponte entre a Ilha de Santa Catarina e o Continente – revelado pela repórter Natália Viana na edição de 8 de julho. Mais surpresas devem aparecer nos próximos dias.
Desse episódio em que anunciou aperto do cinto na posse e marcou na folhinha o dia em que teria dinheiro para gastar, talvez o governador devesse tomar lições com Zé Carioca – o personagem criado por Walt Disney nos anos 1940, caricatura do malandro brasileiro. O papagaio nunca deixaria os cobradores descobrirem a hora certa de apresentar as faturas, como fizeram os professores com Colombo.
Ps: Postagem retirada do blog do moacir pereira...
Nenhum comentário:
Postar um comentário